PRAÇA DA CANÇÃO * Manuel Alegre * 1965 * 1ª Edição

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Descrição

PRAÇA DA CANÇ;OManuel Alegre1ª Ediç;o. Muito rara.Coimbra. 1965.Br.; In-8º de 143, [1] págs.Da colecç;o Cancioneiro Vértice.

Notas:

* Ediç;o princeps  apreendida, em 1965, pelas policias da ditadura  

  [ver Livros Proibidos   no Estado Novo, Assembleia da Republica, Lisboa, 2005]

Génese e impacto de um livro de poemas com 50 anos:

   "Somos filhos da Praça da Canç;o" – 17-03-2015 Maria Leonor Nunes,

   JL, 21 de janeiro a 3 de fevereiro de 2015 – Em dossier especial do JL

Praça da Canç;o, um livro de poemas escrito por um homem que esteve na guerra, na cadeia e no exilio, faz 50 anos e continua ‘vivo’, com sucessivas reedições. Nunca em Portugal, logo que saiu, em vida do seu autor, um livro de versos terá sido t;o lido, t;o cantado e t;o marcante. Histórias da sua génese, destino e repercuss;o e testemunhos do impacto dessa obra, bandeira da luta contra a ditadura e revelaç;o de um escritor cuja obra com o tempo se alargou e aprofundou, s;o apresentados num dossier especial do nº 1151 do Jornal de Letras, que aqui retomamos.

Ediç;o em segredo

De capa branca, com letras a vermelho pálido, a Praça da Canç;o saiu na coleç;o “Cancioneiro Vértice”, a revista na prática dirigida por Joaquim Namorado, onde já tinham saido dois livros que ao tempo marcaram, Cuidar dos Vivos, de Fernando Assis Pacheco, e Corpo de Esperança, de José Carlos de Vasconcelos. Os três tinham entrado para a redaç;o da revista no mesmo dia, em 1962, só que os dois primeiros estiveram nela pouco tempo porque foram chamados para a “tropa”.Quando PdaC foi publicado, MA já estava no exilio. Ivo Cortes;o, da redaç;o da revista, organizaria a ediç;o, acrescentando-lhe de resto o primeiro texto, sobre as ‘rosas’ que sua m;e, Maria Manuela, ritualmente lhe oferecia em cada aniversário. Esse texto, a ela dedicado, escreveu-o o poeta já escondido na casa de Rui Feijó, antes de sair clandestinamente do pais. Juntou-o aos originais de PdaC, mas n;o o tinha imaginado no livro. Só quando, em Paris, teve nas m;os um seu exemplar, verificou que tinha sido incluido, como disse ao JL.Esse texto tornar-se-ia, aliás, uma marca. Sucena explica que “ia direito ao coraç;o de toda a gente” e o padre Fanhais confessa que perdeu a conta às vezes que o leu em publico, por toda a parte, e certa vez que foi cantar a Coimbra levou uma rosa para a m;e de Alegre. Foi ela, a D. Manuela, como era conhecida, uma senhora muito corajosa e ativa (a que Assis dedicou, aquando da sua morte, um poema publicado aqui no JL), que entregou o original de PdaC a Ivo Cortes;o – e organizaria depois, meticulosamente, um caderno com todas as noticias e criticas relativas ao livro, que MA encontrou agora num armário na casa de águeda, tal como o manuscrito original de Trova do Vento que Passa.Em “segredo” e com o mais atento “cuidado”, Ivo Cortes;o acompanhou todas as fases de produç;o do livro, como faz notar a filha, Judite, que guarda ainda as suas provas tipográficas. A lápis, na folha de rosto, assinalava-se que a impress;o tinha começado na tarde do dia 14 e terminara às 10 do dia 17, e a brochura na manh; do dia 19. “As provas têm muitas notas e correções, porque o meu pai era professor do liceu D. Jo;o III, um purista da lingua, pelo que pôs todo o empenho na revis;o”, explica. “Tal como acompanhou a composiç;o e impress;o e ele próprio ajudou a enviar o livro para os assinantes da Vértice pelo correio, chegando a ir entregar alguns em m;o, com receio que pelo correio fossem apanhados pela Pide”.A génese da PdaC carreava a sua futura “lenda”, segundo o próprio MA. O livro começou a circular ainda em 1964, embora a data de ediç;o seja janeiro de 1965. Paulo Sucena, amigo do poeta e seu conterrâneo de águeda, pode comprová-lo: “O meu exemplar, que o meu pai assinou com o seu nome, Hélio Sucena, tem mesmo escrito “águeda, dezembro de 64”. Foi a prenda de Natal que ele tinha pedido: “O próprio livro furtava-se assim à ‘caça’ que Ivo Cortes;o percebeu que a Pide iria fazer”, adianta.Alipio Miranda, um amigo da escola primária de Alegre, foi um dos que o pôs a circular. E foi assim que quando a Pide chegou às livrarias para apreendê-lo, encontrou poucos exemplares. O livro já tinha seguido o seu caminho de resistência. “Há nele um sopro épico que pretende denunciar a opress;o dos tiranos, diria mesmo, do ponto de vista atual, dos que se vergam perante interesses estranhos a Portugal e dos que se vendem por 30 dinheiros”, diz Sucena. O seu impacto foi intensificado pela guerra colonial, contra a qual se lutava na oposiç;o clandestina, destaca por seu lado Nunes Diogo: “A certa altura, o dilema que se punha era a deserç;o ou a continuaç;o da luta, dentro das estruturas do Exército. O Manel foi preso em Angola precisamente por estar envolvido numa tentativa de revoluç;o dentro dessas estruturas”, lembra.

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