LEGENDA DOLOROSA DO SOLDADO DESCONHECIDO DE ÁFRICA * António de CÉRTIMA * 1925

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LEGENDA DOLOROSA DO SOLDADO DESCONHECIDO DE áFRICA. António de CéRTIMACristo n;o é mais que eu: ambos dois morremos pelos outros. Fala dum moribundo no Hospital de M'Lamba (Kionga).1ª Ediçaõ[S.l.], [s.n. – imp. na Tipografia de Luis Beleza, Lisboa], 1925.Br.; In-4º (26cm) de XVI p. Inclui uma poesia e uma inscriç;o de Afonso Lopes Vieira.Obra incómoda. Trata-se de uma critica às chefias – politicas e militares – e um lamento à forma como o soldado português se viu forçado a combater em áfrica, sujeito a todo o tipo de privações, chegando o autor a compará-lo com o expedicionário do C. E. P., em França, com claro prejuizo para o primeiro.              ……………………………………………………………. "áquela Patria, meu irm;o, porque tu, português, combateste até á morte – e n;o á Patria desses politicos, que te esqueceram e que se tu agora te levantasses do teu tumulo a mostrar a tua dôr e a recordar a tua antiga heroicidade, te negariam a existencia e talvez mesmo te mandassem aferrolhar numa cadeia."(1.ª pp. texto – inscriç;o do autor)              ……………………………………………………………."Esta legenda do Soldado de áfrica é acrescentada com uma inscriç;o do poeta Afonso Lopes Vieira e algumas frases do heroi esquecido."Esta frase está impressa na contracapa do livro e é polémica; refere-se por certo ao trecho de uma carta do soldado n.º 412 da 10.ª Companhia de infantaria 28, morto em Newala, reproduzida neste opusculo, e que poderá ser encarada como um jogo de palavras do autor – soldado esquecido – soldado desconhecido – que indiciaria poder ter Cértima conhecimento(?) da identidade do Soldado Desconhecido de áfrica…              …………………………………………………………….."Sôbre o teu tumulo razo, cheio de grandeza e esquecimento, eu deponho estas palavras ardentes e insubmissas, escritas com a nossa Febre e com as nossas Lágrimas, com a flama virgem do nosso Sonho e muitas vezes, até, com o desgosto profundo de combater. Quem as poderá julgar? O nosso justo orgulho de combatentes diz-nos que ninguem. Pois damos nós a alguem o direito de julgar os nossos corações, que nós sacrificámos purificadamente pela Pátria e nunca pelos homens?Entretanto, talvez muitos daqueles que junto de nós enganaram o sagrado ideal que nós serviamos, ou dos Outros, que n;o fizeram a guerra e ficaram a viver em Portugal, felizes como ébrios, á custa do nosso Sacrificio, alimentando-se do nosso Sofrimento, talvez êstes pretendam negar alguma vez, vergastados de remorso, a veemência crua da nossa Dôr, a nossa indignaç;o, a veracidade fremente do nosso Martirio – guardados nestas palavras como reliquias. […]Olha o que vai lá por fóra! é o ;9 de Abril;, – é a apoteose do teu irm;o que morreu na Flandres, mais rico e mais nobre do que tu, cheio de honras e medalhas e citações gloriosas, ao serviço, decerto, de melhor Pátria que a tua…"(excerto de Serrano de Palma e Namoto e Newala e Quiwambo e Negomano e M'kula)António de Cértima (1894-1983). “Teve como nome de baptismo de António Augusto Gomes Cruzeiro, mas cedo adoptou só o de António de Cértima. Fez a instruç;o primária na sua terra natal, seguindo depois para o liceu de Aveiro. Em 1915 ingressou no serviço militar, integrado nas campanhas de áfrica, em Moçambique, terminando em 1918. Após o seu regresso ao continente europeu continuou os seus estudos, terminando o curso de Direito e adquirindo conhecimentos de linguas estrangeiras, nomeadamente Francês, Espanhol, Inglês, Italiano e linguas árabes. Ainda de tenra idade começa a escrever em jornais da regi;o e em 1914, publica o seu primeiro livro "Marilia", (uma peça de teatro). Em 1925, ingressa na vida Diplomática, como Vice-cônsul no Suêz, onde da sua acç;o neste consulado pouco se sabe, terminando em 18 de Outubro de 1926, sendo nomeado nesta mesma data, Cônsul de Portugal em Dakar, onde permaneceu até à sua passagem para o consulado de Sevilha pela nomeaç;o de 30 de Maio de 1932, onde permanece até à exoneraç;o a seu pedido em 12 de Maio de 1949. A sua acç;o diplomática distingue-se pela sua integraç;o cultural na regi;o e pelo empenhamento que teve em levar o nome de Portugal, n;o esquecendo o incentivo das exportações Portuguesas para aquelas regiões. Aquando da sua permanência em Sevilha, que coincidiu com o periodo da guerra civil espanhola, foi notável o seu grande humanismo. A sua presença naqueles consulados, levou a que fosse considerado ao nivel internacional como um grande Embaixador da Cultura Portuguesa e um diplomata de reconhecido valor internacional. Deixou a Vida Diplomática em 1949 regressando a Portugal onde ingressou como gerente de uma empresa em Lisboa. O seu conceito internacional levou a que continuasse a ser mediador de Portugal em situações que a governaç;o Portuguesa sentisse necessitava. Esteve sempre atento a vida Nacional e Internacional. Enquanto novo e na Regi;o da Bairrada, pertenceu à Plêiade Bairradina, grupo que integrava outros escritores e artistas desta regi;o. Foi sócio da Sociedade Portuguesa de Geografia. Faleceu no Caramulo em 20 de Outubro de 1983.” 

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