FADO ALEXANDRINO * António Lobo Antunes * 1983 * 1ª Edição
Descrição
Fado Alexandrino António Lobo AntunesCapa de Fernando Felgueiras1ª Ediç;o AUTOR(ES): Antunes, António Lobo, 1942-PUBLICAÇ;O: Lisboa : D. Quixote, 1983DESCR. FiSICA: Br.; 694 p. ; 21 cmCOLECÇ;O: Autores de Lingua Portuguesa – Obras de António Lobo AntunesNota: ex.com assinatura de posse e data, na página de anterrostoCRITICA – FADO ALEXANDRINO"Deve-se ser muito restritivo quanto ao uso da palavra obra-prima. Mas n;o me resta qualquer duvida de que este romance n;o é outra coisa que n;o isso. Leiam-no! Adquiram-no e leiam-no!"in Jornal de Letras, Artes e Ideias, ano XI, nº489, Novembro de 1991
"Eu n;o sei se este romance de Lobo Antunes é genial, mas o que de certeza sei é que ele é tudo menos chato.""Ao longo de quase setecentas páginas ofegantes, perpassam, como um caleidoscópio, os ultimos vinte anos da vida portuguesa. Misturando tempos, sobrepondo lugares, cruzando histórias, multiplicando os planos, as imagens compõem-se e decompõem-se, refazem-se e voltam a desfazer-se, as peças do "puzzle" juntam-se e separam-se para voltar a reunir-se mais adiante, e a estrutura do romance, o próprio discurso narrativo, a própria linguagem, acompanham esse movimento incessante, que nunca desfalece, através do qual a realidade de um pais, de um povo, de uma época, aos poucos se vai apossando de nós, aspirando-nos para o seu interior, mostrando-nos por dentro o que conheciamos, ou julgávamos conhecer, por fora. Com um humor contundente,(…) a História e as estórias desenrolam diante de nós o largo ciclorama onde se projectam personagens das mais diversas camadas sociais, surpreendidas no seu quotidiano tragicómico, na sua risivel e pungente humanidade, na eros;o dos dias e dos acontecimentos, da inércia do tumulto, igualmente v;os.""Romance (…) de uma geraç;o que fez a guerra colonial, que dela regressou com o terrivel sentimento de "se ter tramado em v;o, se ter gasto sem motivo", que atravessou uma revoluç;o traida e transviada e se encontrou "na estagnada, serena, cadavérica, imutável tranquilidade de outrora" que o manhoso oportunismo de uns quantos ("os vorazes micróbios cancerosos que da revoluç;o se alimentavam e em torno dela se moviam") fez suceder às ondas de esperança de uns e do pânico de outros, Fado Alexandrino é o retrato em corpo inteiro, e ao mesmo tempo a radiografia, da sociedade portuguesa em tempo de mudança."in Jornal de Letras, Artes e Ideias, ano IV, nº89, Março de 1984
"(…) a perspectiva escolhida é, se assim se pode dizer, a do tabuleiro de xadrez cujas peças maiores s;o constituidas por um grupo de ex-militares que se reunem num jantar com o ex-comandante dum Batalh;o expedicionário em Moçambique e à mesa procedem ao exercicio duma memória de dez anos sobre si mesmos e sobre o Portugal de ;antes;, ;durante; e ;após; Abril. E s;o peças secundárias desse jogo vivencial as relações multi-multiplicadas dos 5 (um Tenente-coronel, um Comandante de Companhia, um Tenente, um Alferes e um Soldado), com uma série de segundos planos familiares, profissionais, sociais e outros. À medida que o leitor progride na organizaç;o desta memória, infunde-se nele a sensaç;o de crepusculo, do tempo parado, das ilusões traidas, e finda tudo num ambiente de dissoluç;o caótica, onde o cometimento de um crime, na pessoa do Tenente, é quase um acto de antropofagia (começa na cumplicidade dos assassinos e acaba na combina da ocultaç;o do cadáver e no regresso de todos os outros ao marasmo dos dias. N;o está implicito em tudo isto, que a vida, a solid;o sem fundo e as amarguras dos personagens n;o sejam t;o verosimeis como as alegrias ausentes ou as euforias passageiras.""(…) ;livro dos seus livros; (…) sobretudo porque alia a exigência a um capital de pesquisas que, estando longe de considerar-se esgotado, é um caso tipico da inquietaç;o e daquele humus criativo que nos torna solitários e nos remete para uma relaç;o sofrida com a vida e com as pessoas. (…) também porque é retoma subtil dos grandes temas que vêm inspirando quase toda a obra de A. O tema da guerra colonial, p. ex., (…) o inferno dos outros, a solid;o punida e punitiva, o espaço do memorizado e do sofrido (…), s;o outros tantos caminhos recobertos por este livro.""Fiquem os leitores com a ideia de que a ;monumentalidade; deste romance reside tanto nas suas dimensões fisicas como na sua estrutura e na sua actualidade."in Colóquio Letras, nº82, Novembro de 1984
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