DINOSSAURO EXCELENTISSIMO * José Cardoso Pires * 1972 * 1ª Edição

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Dinossauro Excelentissimo José Cardoso PiresIlustrado por Jo;o Abel Manta1º Ediç;oAUTOR(ES): Pires, José Cardoso, 1925-1998; Manta, Jo;o Abel, 1928-, il.PUBLICAÇ;O: Lisboa : Arcádia/Rio de Janeiro : Editora Civilizaç;o, imp. 1972DESCR. FiSICA: 93 p., [21] fl. est. profusamente ilustrado;Encadernaç;p editorial c/sobrecapa.Obs.:Dinossauro Excelentissimo, é uma fábula satirica de José Cardoso Pires que retrata a vida de Salazar, a sua ditadura e o Portugal do Estado Novo num tom bastante irónico e amargurado. Carlos Reis designa a fábula de "relato violentamente satirico sobre a figura de Salazar" (verbete José Cardoso Pires, in Biblos, vol. 2, 213).O livro foi editado pela primeira vez em 1972 pela Editora Arcádia, com ilustrações e capa de Jo;o Abel Manta. Embora datado de "Natal de 69 e Março de 71", o autor afirmou (na entrevista a Artur Portela Filho) tê-la escrito em 1970. Nesta época José Cardoso Pires encontrava-se em Londres no King's College de Londres a leccionar Literatura Portuguesa e Brasileira. Mais tarde passou a estar incluido nas colectâneas de contos O Burro-em-Pé (1979) e A Republica dos Corvos (1988).Na referida entrevista, José Cardoso Pires descreve as circunstâncias que permitiram a publicaç;o do livro e lhe deram notoriedade: numa discuss;o na Assembleia Nacional sobre a liberdade de imprensa, um deputado ultrafascista, Casal Ribeiro, em discuss;o com Miller Guerra, quis demonstrar a existência de liberdade dando como exemplo a publicaç;o de Dinossauro Excelentissimo. Claro que a partir daqui já n;o seria possivel à censura retirar o livro das livrarias nem a PIDE poderia perseguir o seu autor.O livro é a história "de certo Reino onde nos velhos outrora vivia um imperador astuto, diabo e ladr;o" de quem "n;o se sabe se afinal ele era homem, se era estátua ou apenas descriç;o". O percurso deste imperador (origens, formaç;o na "cidade dos Doutores" reproduz a biografia de Salazar (origem modesta, formaç;o em Coimbra). O reino do Dinossauro é o Reino do Mexilh;o, onde vivem os mexilhões, que tudo aguentam, governados pelos Dê-Erres, cujo dominio da palavra lhes deu o poder. Segue-se a descriç;o do governo do Dinossauro, da mentira como forma de governar e finalmente do seu acidente até a morte, retrato irónico dos ultimos anos de Salazar quando, após sofrer a queda que o afastaria das suas funções politicas, julgava ainda governar em sessões ficcionadas do conselho de ministros.Sobre o autor e o ilustrador:

José Augusto Neves Cardoso Pires (S;o Jo;o do Peso, 2 de Outubro de 1925 — Lisboa, Campo Grande, 26 de Outubro de 1998) foi um escritor português.

Nascido em S;o Jo;o do Peso, no concelho de Vila de Rei, filho de José António Neves e de sua mulher Maria Sofia Cardoso Pires, foi muito cedo para Lisboa com os pais, ele oficial da Marinha, ela dona de casa, a irm;, Maria de Lurdes Neves Cardoso Pires (5 de Outubro de 1927) e o irm;o, António Nuno Cardoso Pires Neves (13 de Junho de 1931 – 9 de Abril de 1953). Entre 1935 e 1944 frequentou o Liceu Camões, onde foi aluno de Rómulo de Carvalho e de Delfim Santos, iniciando, de seguida, uma nunca terminada licenciatura em Matemáticas Superiores, na Faculdade de Ciências.

Em 1945 alista-se na Marinha Mercante, como praticante de piloto sem curso, actividade que abandona compulsivamente, ;suspeito de indisciplina e detido em viagem do navio Niassa; (c.f. auto da Capitania do Porto de Lisboa, de 02-02-1946). Tendo optado pelo jornalismo, veio a assumir a direcç;o das Edições Artisticas Fólio, onde Aquilino Ribeiro publicou O Retrato de Camilo. Na mesma editora a colecç;o Teatro de Vanguarda contribui para a revelaç;o de obras de Samuel Beckett, William Faulkner e Vladimir Maiakovski. Em 1959 estagiou na revista época, de Mil;o, com vista à publicaç;o de um semanário que a censura impediu. Entretanto lança a revista Almanaque, cuja redacç;o integra Luis Sttau Monteiro, Alexandre O'Neill, Vasco Pulido Valente, Augusto Abelaira e José Cutileiro. Foi ainda cronista do Diário de Lisboa, da Gazeta Musical e de Todas as Artes e da Afinidades.

Em 1953, morre o seu irm;o num acidente de aviaç;o em cumprimento do serviço militar, quando o Harvard T6 em que treinava se incendiou em pleno voo acabando por cair e explodir. Dez anos mais tarde, Cardoso Pires dedica-lhe ;in memoriam; o romance O Hóspede de Job como protesto contra a guerra fria e a colonizaç;o militares.

Unanimemente considerado um dos maiores escritores portugueses do século XX, numa galeria onde podemos encontrar nomes como José Saramago ou António Lobo Antunes, a sua carreira literária está marcada pela inquietaç;o e pela deambulaç;o. Autor de dezoito livros, publicados entre 1949 e 1997, n;o se identifica com nenhum grupo, nem se fixa em nenhum género literário, apesar de ser considerado sobretudo como um romancista. A sua relaç;o mais duradoura no campo literário deu-se com o movimento neo-realista português, até ao 25 de Abril de 1974, justificada com a oposiç;o ao regime autoritário português. A inserç;o da sua obra no neo-realismo é, por essas razões, contraditória. Frequentou também os grupos surrealistas, no inicio da década de 1940. Foi influenciado pela estética de Hemingway, pela narrativa cinematográfica, o que resulta em discursos curtos e diálogos concisos.

O Delfim, de 1968, é geralmente considerado a sua obra-prima, em que o narrador assume uma condiç;o de forasteiro, aparentemente descomprometido com uma realidade anacrónica. A Gafeira, aldeia inexistente, simboliza o Portugal marcelista, com um crime no centro da história. Tendo sido recebido, até 1974, como romance neo-realista, tem despertado um interesse crescente como narrativa pós-modernista. Pode efectivamente ser lido como o primeiro romance português no qual confluem as principais linguagens estéticas norteadoras do futuro pós-modernismo português devido à mistura de géneros, à polifonia, à fragmentaç;o narrativa e à metaficç;o.

A 1 de Outubro de 1985 foi feito Comendador da Ordem da Liberdade e a 4 de Fevereiro de 1989 recebeu a Gr;-Cruz da Ordem do Mérito.

Foi sepultado em 1998 no Cemitério dos Prazeres em Lisboa. No âmbito do programa que evocou o 10º aniversário da morte de José Cardoso Pires, a Videoteca da Câmara Municipal de Lisboa produziu uma curta-metragem intitulada Fotogramas Soltos das Lisboas de Cardoso Pires, realizada por António Cunha.

Jo;o Abel Manta (Lisboa, 1928-)

Nasceu em 1928, em Lisboa. é filho dos pintores Abel Manta e Maria Clementina Carneiro de Moura Manta. Formou-se em Arquitectura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa (1951), tendo-se dedicado como artista plástico, à pintura, cerâmica, tapeçaria, mosaico, ilustraç;o, artes gráficas e cartoon. Na área da sua formaç;o académica foi o responsável, com Alberto Pessoa e Hernâni Gandra, pelo projecto dos blocos habitacionais da Avenida Infante Santo, referente de qualidade na arquitectura da cidade, com o qual ganhou o Prémio Municipal de Arquitectura (1957). Recebeu ainda o Prémio Nacional da Sociedade Nacional de Belas Artes (1949), o Prémio da Fundaç;o Calouste Gunbenkian (1961) e a Medalha de Prata na Exposiç;o Internacional de Artes Gráficas, em Leipsig (1965).A sua pintura, numa primeira fase neofigurativa e eivada de ironia surrealista, tomou depois uma feiç;o de carácter abstracto. Foi o autor das tapeçarias do Sal;o Nobre da sede da Fundaç;o Calouste Gunbenkian. No cartoon, utilizando-o como forma privilegiada de retrato da sociedade, evidenciou-se de forma impar, sendo os anos de 1974 e 1975, dos mais fecundos da sua produç;o. Publicou o album Caricaturas Portuguesas dos Anos de Salazar (1978), sintese de vincada e sofisticada ironia onde o lápis do artista traça um quadro negro, mas preciso, daquele periodo da nossa história. No contexto da arte publica interveio nos pavimentos de mosaico para arruamentos na Praça dos Restauradores, em Lisboa, e na Figueira da Foz. No campo da azulejaria concebeu em Lisboa os painéis: do restaurante do Hotel da Avenida Infante Santo (1952), da Escola Primária do Alto dos Moinhos (1955) e do revestimento do monumental mural da Avenida Calouste Gulbenkian, aplicado em 1982 (concebido em 1970). Foi ainda autor da série de painéis cerâmicos para o Teatro Gil Vicente, em Coimbra (1955), dos azulejos para os edificios da Associaç;o Académica de Coimbra (1959), bem como de uma composiç;o geométrica para a Caixa Geral de Depósitos, em Mafra (1972). 

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